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EUA estão “satisfeitos” com a criação do Centro Sul-Americano de Inteligência

Crime transnacional é alvo do centro da fronteira Brasil-Argentina-Paraguai

Eric Green
Da equipe de redação do Washington File

Washington – Segundo o Departamento de Estado, os Estados Unidos estão “satisfeitos” com a criação de um novo centro de inteligência regional na América do Sul, destinado a combater o crime e a corrupção transnacionais originados na região da tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai.

Em pronunciamento em 16 de agosto, o departamento informou que o centro regional operará na cidade brasileira de Foz do Iguaçu, na fronteira com Argentina e Paraguai.

Um funcionário do Departamento de Estado disse que a instalação em Foz do Iguaçu foi criada pelo Brasil há cerca de um ano, mas foi ampliada para tornar-se operação “regional” quando o governo brasileiro ofereceu posições no centro para os governos da Argentina e do Paraguai. O centro regional é uma iniciativa do governo brasileiro, “crédito seu”, acrescentou o funcionário.

Segundo o Departamento de Estado, Argentina, Brasil, Paraguai e Estados Unidos compõem o Grupo 3+1 de Segurança na Área da Tríplice Fronteira. Esse grupo foi formado em 2002 para melhorar a capacidade das nações sul-americanas de combater o crime transfronteiriço e impedir a lavagem de dinheiro e as possíveis atividades de captação de recursos para o terrorismo.

Embora os Estados Unidos não patrocinem financeiramente a instalação em Foz do Iguaçu, o departamento afirmou que “espera ansioso” por trabalhar com seus parceiros no Grupo 3+1 “em vários aspectos importantes de segurança na área da tríplice fronteira”.

Um funcionário da embaixada brasileira em Washington declarou em entrevista de 22 de agosto ao Washington File que o Brasil ampliou o centro com o objetivo de compartilhar informações de inteligência com seus dois vizinhos na região do Cone Sul da América do Sul. Um dos propósitos do centro, afirmou o funcionário, é vigiar qualquer atividade suspeita de terrorismo na região da tríplice fronteira.

Segundo afirmou Henry Crumpton, coordenador de contraterrorismo do Departamento de Estado, em depoimento ao Congresso em 11 de maio, o incremento da cooperação anticrime na tríplice fronteira é necessário. Crumpton, discutindo um relatório do Departamento de Estado sobre terrorismo, disse à Subcomissão de Relações Internacionais sobre Terrorismo Internacional e Não-Proliferação de Armas da Câmara que a cooperação entre as nações da tríplice fronteira no combate ao crime transnacional é “desigual”, mas que “algum avanço foi alcançado”.

Os Estados Unidos precisam “estimular” maior cooperação entre os três países do Cone Sul no tocante a compartilhamento de inteligência, declarou Crumpton, e “precisamos ajudá-los a pensar de maneira mais abrangente para chegar aonde eles entendem que precisam estar”.

Os Relatórios sobre Terrorismo por País do departamento, divulgados em 28 de abril, dizem que os governos dos três países “há muito se preocupam com contrabando de armas e drogas, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e produção e movimentação de mercadorias para o contrabando nessa região”.

De acordo com o relatório, os Estados Unidos continuam preocupados com o fato de dois diferentes grupos terroristas, o Hezbollah e o Hamas, estarem captando recursos entre as consideráveis comunidades muçulmanas na região da tríplice fronteira, “embora não tenha havido confirmação da presença operacional desses nem de outros grupos islâmicos extremistas na área”.

A Biblioteca do Congresso dos EUA afirmou em relatório de julho de 2003 que os três países sul-americanos criaram em 1996 um “Comando Tripartite da Tríplice Fronteira” como esforço para controlar melhor o comércio e uma grande população flutuante na região. Esse comando foi ampliado em 1998 com um acordo de segurança entre os três países para intensificar sua luta contra o terrorismo, o contrabando, a lavagem de dinheiro e o tráfico de drogas.

Entretanto, conforme o relatório Grupos Terroristas e do Crime Organizado na Área da Tríplice Fronteira da América do Sul, apesar dessa força conjunta, os esforços dos governos da tríplice fronteira para conter o crime organizado e os grupos terroristas “foram prejudicados por problemas institucionais de corrupção, financiamento inadequado e recursos investigativos”, entre outros obstáculos.